CRÍTICA | VIÚVA NEGRA: A DESPEDIDA TARDIA DE NATASHA

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Após muito tempo de espera, a Marvel Studios finalmente bancou um filme solo da Viúva Negra e, depois do atraso da estreia, por conta da pandemia, nós podemos entender um pouco mais do passado misterioso de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson). A parte triste e meio mórbida do longa é ter que assistir tudo, se afeiçoar mais ainda com o carisma da personagem sabendo que não a veremos novamente, devido sua morte trágica em Ultimato. 

O roteiro de Eric Pearson, co-escritor de Thor: Ragnarok, criador de vários curtas da franquia, funcionou muito bem como um longa que une a história de origem, evolução da personagem e, claro, passagem de bastão e responsabilidade como Viúva Negra. Logo no intrigante e agitado ato introdutório, que se passa nos anos 90, onde somos apresentados à pequena Natasha (Ever Anderson) e sua irmã mais nova Yelena (Violet McGraw) tendo suas vidas totalmente reviradas quando seus pais, Alexei (David Harbour) e Melina (Rachel Weisz), precisam fugir dos EUA por motivos profissionais, digamos assim, já podemos perceber então que a vida de Nat era bem caótica desde sua infância. 

Um pouco depois, já somos levados ao exato momento após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, com Romanoff, em sua fase adulta, tendo que desaparecer depois de trair o Team Iron Man e passar a ser caçada pelo Secretário de Defesa Thaddeus Ross (William Hurt). Durante uma tentativa frustrada de se esconder na Noruega, ela é violentamente atacada pelo misterioso Treinador, mensageiro do tão citado “Quarto Vermelho”, centro russo de treinamentos de espiãs do passado de Nat, o que a leva a uma frenética investigação que a faz revisitar todo o seu conturbado obsoleto e reunir sua antiga “família de fachada”.

Neste momento, também nos são apresentados, a personagem secundária mais importante da trama, Yelena (Florence Pugh), irmã de Nat, agora também uma Viúva Negra, essa que chegou com tudo no filme e funcionou muito bem com o restante do elenco, também trazendo o maior alívio cômico do filme imitando a pose de heroína da irmã, além de trazer mais humanidade a toda essa rede de manipulação e objetificação das pessoas. Fora isso, o filme também deixa claro que a chegada de Yelena vem para tentar suprir a falta que Nat com certeza fará e, pode ser que isso até funcione, se os produtores trabalharem melhor as histórias femininas, assim como a DC tenta. 

A diretora Cate Shortland soube trabalhar bem essa mistura de ação com os picos de trama da trama. O filme tem lá seus momentos de reflexão, mas sem perder o ritmo, para dar voz ao sofrimento e a culpa que Nat sente quando todo seu passado vem literal e metaforicamente atacá-la com força total. Mas como nem tudo são flores, um ponto que me incomodou profundamente no longa foi o fato de que por vezes se apoia no seguro, deixando de criar a energia única e justa para Natasha, que esperamos desde sua primeira aparição em Homem de Ferro 2. 

E, apesar do filme ter sido encaixotado no padrão mais clássico e genérico do MCU, para contar a história de Romanoff, devemos lembrar, que de fato, esse é um filme de despedida para a atriz e personagem que faz juz a sua história como uma VIngadora, mas com um gostinho amargo de que nunca a veremos novamente.

Ps: Aguardem a cena pós crédito, a relevância para o futuro da Marvel presente nela é crucial.

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