Crítica | Tempo: Shyamalan arrasa no conceito e esquece da execução

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Filme traz reflexões metafóricas sobre o presente, passado e futuro 

As características insubstituíveis de M. Night Shyamalan podem ter subitamente lhe subido à cabeça. O mal presságio que se já tinha sobre o filme Tempo, se conclui no desenrolar da trama e apesar da mistura de pavor com o estímulo ao imaginário do público, Shyamalan deixa a desejar. A história central acompanha o casal Guy (Bernal) e Prisca (Krieps) que parte de férias para um resort distante com seus dois filhos pequenos Maddox (Alexa Swinton) e Trend (Nolan River). 

Divulgado como melhor até mesmo que Cancún, o local é um achado de Prisca para repousar e esquecer um pouco dos problemas do cotidiano. Enquanto isso, seu marido, um corretor de seguros, calcula as probabilidades de acidentes  que podem ocorrer no local. É notório, portanto, que as “férias” é  apenas uma cortina de fumaça para os reais dilemas que aquela família enfrenta. Será que eles terão Tempo de resolver todos seus problemas? 

O longa infelizmente tem diversos pontos negativos, como por exemplo, os plot twists, que não chegam a ser marcantes, já que depois de alguns minutos já se imagina o que vai acontecer até o final do filme. O estilo de body horror e o jogo de câmera tentando provocar um suspense inexistente chega a ser quase incômodo o quão baixo o nível está. Nos primeiros 30 minutos de filme o teleespectador já tem praticamente todas as informações necessárias e o restante do longa parec euma tortura sem fim, sem pé, nem cabeça. 

No quesito pontos positivos, o filme se atém realmente nos poucos momentos de tensão gerados pelo enredo e o jogo de elenco utilizado. A mudança das personagens de acordo com o passar do tempo consegue linkar bem e fazer sentido visualmente (o que abordaremos mais à frente), mas nem todos conseguem entregar boas atuações… 

Tempo

Arriscando em uma versão mais clara e não tão indestrutível como Fim dos Tempos (2008), Shyamalan agrada alguns e decepciona muitos, principalmente quem estava esperando por um final irredutível que fervesse os neurônios… Mas ao contrário do filme de 2008, onde o efeito da violência no corpo é sempre especulativo e potencialmente frustrante, aqui aguardamos as trocas para o elenco mais velho e temos o lembrete constante dessa “brutalidade corporal”, quando tentamos reparar na maquiagem dos atores para flagrar uma ruga do tempo a mais. Até mesmo o recurso do blecaute (quando os personagens tentam deixar a praia) serve de intervalo para embalar a trama em pequenos momentos de horror. O que era invisível no filme de 2008, aqui se torna cruelmente visível e está o tempo inteiro em cena, mesmo quando objetos, pessoas ou o próprio mar bloqueiam nossa visão.

A real ideia do filme é a dádiva de se viver o presente e dar valor aos momentos com as pessoas que amamos, fazendo coisa que gostamos, afinal no fim da vida, nem vamos lembrar o motivo daquela briga que acabou com um relacionamento e te afastou de pessoas queridas. Sendo assim, a maior reflexão que temos no longa é que devemos desfrutar o presente, não se esquecer do passado, mas olhar sempre para o futuro e não desistir de viver.

Confira o trailer do filme aqui.

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