Crítica | Doutor Sono não entrega o legado de O Iluminado

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Doutor Sono

Este foi o ano de grandes adaptações  para as obras de  Stephen King e, é claro que O Iluminado (1980) não poderia ficar de fora. Adaptado pelo diretor Mike Flanagan e baseado no livro de 2013 de  King, Doutor Sono (Doctor Sleep) é uma continuação direta do clássico dos anos 80 e que apesar de ter tido uma boa realização cinematográfica, é apenas um produto de um desejo insaciável para saber o que aconteceu com a família Torrance ou ao menos o que restou dela.

O filme monstra como Danny Torrance continuou a vida após escapar de uma tentativa de homicídio por parte do próprio pai, um escritor alucinado pelos espíritos malignos do Hotel Overlook.  Agora adulto, Danny tem de lidar com outras assombrações como contas para pagar e buscar uma residência fixa. Nesse contexto, ele decide se estabelecer em uma cidade pequena e consegue abandonar seus antigos vícios. Danny faz amizades importantes… uma delas é uma garotinha, com a qual ele mantém uma ligação telepática, a quem precisará ajudar a enfrentar um grupo de velhotes amaldiçoados que querem sugar a alma dos “iluminados”, o que os levará para uma aventura excêntrica e psicologicamente sem sentido.

No elenco, temos Ewan McGregor (Star Wars I, II e III) como Danny, Rebecca Ferguson (‘Missão: Impossível‘ e ‘O Rei do Show‘) como Rose, Cliff Curtis como Billy e   Bruce Greenwood como Dr. John. A performance de McGregor deixou a desejar, mas de uma forma até que compreensível. Em um papel onde ele interpreta um adulto com sérios traumas psicológicos que cai no puro clichê cômico (não menos do que o esperado), em que a vítima sempre se torna um viciado, em álcool e / ou drogas, no futuro. Imagine só… não tem muito para onde fugir não é mesmo? /

Vale lembrar, que apesar de Flanagan (Jogo Perigoso e A Maldição da Residência Hill), ser reconhecido como um mestre articulador de grandes adaptações do material de King, de alguma maneira ele não conseguiu criar  uma boa continuação para a primeira obra do autor.

No Twitter, King divulgou o filme e fez um elogio à produção. “Doutor Sono está chegando em novembro. É um filme incrível. E um inferno de assustador”. Mas, apesar de toda a expectativa criada em torno da continuação, Doutor Sono pode dividir a opinião dos espectadores e a pergunta que não quer calar: O Iluminado realmente precisava de uma sequência?

O Iluminado

A ideia central de que o filme poderia remeter o sentimento de nostalgia foi quebrada nos 30 minutos iniciais do filme. O longa tornou-se um longa bagunçado que não encadeia corretamente os fatos do passado com o presente. É muito extenso e possui muitas personagens desnecessárias, resultando em um fiasco indesejado. As referências prestadas ao O Iluminado são superficiais e os sustos arrancam gargalhadas ao invés de suspiros amendoados.

Há momentos em que se possa refletir que Doutor Sono, na verdade, trata-se de um delírio total. Não se sabe se aquilo é real ou não, o que fica suscetível a imaginarmos que tudo aquele nada mais é do que uma síndrome de traumas do passado não superados.

O lançamento nas telonas nacionais será no dia 7 de novembro.

Por: Ana Julia Carnahiba

Doutor Sono

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