Crítica | Além da gracinha: Hebe – A Estrela do Brasil mostra a essência

by:

CríticasFilmes

Uma vida muito movimentada, cheia de lutas e de brilhos, é retratada em Hebe – A Estrela do Brasil. O filme mostra a trajetória não só da apresentadora Hebe Camargo, mas da mulher Hebe Camargo que existia por trás das câmeras e que, como o próprio título já diz, a tornou uma estrela e a rainha da televisão brasileira.

Interpretada com muita qualidade por Andrea Beltrão, Hebe tem uma vida agitada. Apresenta, sempre ao vivo, um programa de televisão, cuida de um filho, tem problemas no casamento e enfrenta, diariamente, censura do governo.

Os problemas com a censura são presentes desde o início do filme. Hebe era contestadora, aberta ao novo, corajosa e irreverente. Não abria mão de abordar em seus programas temas como homofobia, racismo, pobreza, política e até um certo feminismo, exaltando sempre a figura da mulher.

Briga para levar ao programa uma performer, um ator que faz um papel de mulher e que todos chamam, preconceituosamente, de travesti. Em seguida, leva a transexual Roberta Close (Renata Bastos) e a polêmica Dercy Gonçalves (Stella Miranda) no que seria seu último programa na TV Bandeirantes, quando a censura a apertou tanto que a fez explodir.

Chegou até a puxar a oração de um pai nosso pela alma de seu fiel amigo Carlucho (Ivo Muller), cabeleireiro homossexual que faleceu após contrair o vírus da Aids. Na ocasião, foi reprimida por um padre presente no programa, o que a revoltou, mostrando o carinho que tinha pelas minorias.

No programa de estreia no SBT, recebe ser ídolo maior, o Rei Roberto Carlos (Felipe Rocha). Mais para frente, é Chacrinha (Otávio Augusto) o convidado. Os dois despertam a raiva e o ciúmes de Lélio Ravagnani (Marco Ricca), seu segundo marido, evidenciando os problemas que tinha em sua vida pessoal e em seu casamento.


Hebe – A Estrela do Brasil é um filme corajoso por mostrar não só o lado da estrela em si, mas da mãe, da esposa, da amiga, da patroa e da mulher. A vida da maioria dos artistas brasileiros mais famosos é sempre retratada rodeada de bebidas e de drogas. Os entorpecentes não faziam parte da vida de Hebe, porém o álcool fazia parte de sua rotina e está sempre em evidência.

A roteirista Carolina Kotscho e o diretor Mauricio Farias tomaram, e muito bem, o cuidado de mostrar os dois lados. Ela era a mesma pessoa, exuberante e alegre na frente e por trás das câmeras (a não ser quando é censurada). Carolina e Mauricio decidiram não fazer uma biografia, escolheram um recorte da vida de Hebe e trabalham isto muito bem.

Apesar de este recorte não possuir um grande clímax, é muito bem detalhado e produzido. As joias, figurino e cenários são detalhistas e fiéis aos originais. É importante ressaltar que Andrea não imitou Hebe, e nem as outras figuras presentes no filme foram imitadas pelos atores. Ela encontrou a essência da Rainha, assim como o filme também encontrou. É uma ótima obra!

Hebe – A Estrela do Brasil não é apenas um filme para os fãs de Hebe Camargo, é um filme para quem gosta da história da TV brasileira e também para as minorias que Hebe defendia. É uma obra incrível, uma ótima homenagem e um grande trabalho de direção, produção, fotografia, figurino e atuação.

Por: Gabriel Cavalari Cavalcante

Hebe – A Estrela do Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *